quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Sobre as palavras. (de mim à mim mesma)
Palavras. De que te servem agora, as palavras? Elas não preenchem teu vazio. Elas não vão te botar no colo e dizer: calma calma vai ficar tudo bem tristeza é coisa passageira seja feliz muito feliz. Não vão. Não te servem de nada as palavras, do mesmo modo que não te serve de nada saber lidar com elas. Não adianta manipular as palavras, elas não vão construir uma realidade ideal pra você. Elas só vão expôr seus medos. É isso que elas fazem. Expôem seus medos para quem se dispôr a decifrá-las. E os outros, os outros não entendem. Nem o seu vazio, nem o seu medo, nem as suas palavras.
As palavras não são suficientes para acalmar seu coração tão atribulado. Elas só registram a sua dor sem curá-la. Um retrato cruel e fiel da realidade. E como um retrato, só têm uma função: captar, sem no entanto compreender.
Elas se alimentam da sua tristeza, precisam da sua agonia pra nascer. Já percebeu que todos os escritores são infelizes? Eles precisam dessa tristeza. É dela que as palavras vivem. Quanto mais tristeza, mais bonitas elas surgem. E você não quer ser infeliz.
Aprenda que só você é capaz de preencher esse vazio. As palavras são suas amigas mais traiçoeiras. Quando você mais precisar, elas vão faltar. Não vão querer sair. Vão ficar presas, e formar um nó na sua garganta. Um nó que sufoca, e mata.
As palavras não são suficientes para acalmar seu coração tão atribulado. Elas só registram a sua dor sem curá-la. Um retrato cruel e fiel da realidade. E como um retrato, só têm uma função: captar, sem no entanto compreender.
Elas se alimentam da sua tristeza, precisam da sua agonia pra nascer. Já percebeu que todos os escritores são infelizes? Eles precisam dessa tristeza. É dela que as palavras vivem. Quanto mais tristeza, mais bonitas elas surgem. E você não quer ser infeliz.
Aprenda que só você é capaz de preencher esse vazio. As palavras são suas amigas mais traiçoeiras. Quando você mais precisar, elas vão faltar. Não vão querer sair. Vão ficar presas, e formar um nó na sua garganta. Um nó que sufoca, e mata.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
October, 15th
(Pra ti, soulmate de hoje e sempre.)
Os dois caminhavam em silêncio pelos corredores acinzentados e gélidos da rodoviária. Ela sempre achara a "rodoviária nova" bonita, e simpatizava muito mais com ela do que com a antiga. Mas naquele dia, tudo estava diferente.
As mãos de ambos estavam entrelaçadas com uma força absurda. Pareciam não querer soltar nunca mais. E não queriam. Ela sentiu frio. Ele então emprestou sua blusa pra ela colocar, mas de nada adiantou. Ela descobriria então que frios assim não se curam com agasalhos.
E eles continuavam caminhando, passos pequenos de quem não quer chegar jamais. Mas eles chegaram enfim, ao lugar aonde o ônibus dele iria parar. Soltaram as mãos e as malas. Um de frente para o outro. As mesmas lágrimas que manchavam o rosto dela, começaram a surgir no dele antes que ele pudesse evitar. Ele então a abraçou. O abraço mais longo que ambos já haviam dado na vida. E nele, couberam todas as palavras que eles queriam e não conseguiriam dizer. Não ali. Não numa despedida.
Quando se desvencilharam do abraço, o ônibus já havia chegado. Ele então levou as malas até lá e voltou pra perto dela por mais alguns instantes. E ela o beijou, suas lágrimas se misturando com as dele. Eles sabiam que as pessoas os observavam, talvez se apiedassem deles. Mas aquelas pessoas poderiam dormir, e ao acordar suas vidas seguiriam como se nada tivesse acontecido.
A deles não.
Perceberam que seu tempo havia se esgotado afinal, o ônibus ia partir e ele precisava entrar.
- Te amo.
- Eu também, muito.
- Não esquece de mim.
- Nunca.
E se foi.
Enquanto o ônibus dava a volta pelo pátio da rodoviária, ela sentiu um vazio que nunca sentira antes. Uma metade sua havia saído de seu corpo, e passado a habitar outro. Assumira um nome, e agora estava indo pra longe, uma metade a 725 km de distância.
Soube então o que era saudade.
O que era amor.
E que era pra sempre.
Os dois caminhavam em silêncio pelos corredores acinzentados e gélidos da rodoviária. Ela sempre achara a "rodoviária nova" bonita, e simpatizava muito mais com ela do que com a antiga. Mas naquele dia, tudo estava diferente.
As mãos de ambos estavam entrelaçadas com uma força absurda. Pareciam não querer soltar nunca mais. E não queriam. Ela sentiu frio. Ele então emprestou sua blusa pra ela colocar, mas de nada adiantou. Ela descobriria então que frios assim não se curam com agasalhos.
E eles continuavam caminhando, passos pequenos de quem não quer chegar jamais. Mas eles chegaram enfim, ao lugar aonde o ônibus dele iria parar. Soltaram as mãos e as malas. Um de frente para o outro. As mesmas lágrimas que manchavam o rosto dela, começaram a surgir no dele antes que ele pudesse evitar. Ele então a abraçou. O abraço mais longo que ambos já haviam dado na vida. E nele, couberam todas as palavras que eles queriam e não conseguiriam dizer. Não ali. Não numa despedida.
Quando se desvencilharam do abraço, o ônibus já havia chegado. Ele então levou as malas até lá e voltou pra perto dela por mais alguns instantes. E ela o beijou, suas lágrimas se misturando com as dele. Eles sabiam que as pessoas os observavam, talvez se apiedassem deles. Mas aquelas pessoas poderiam dormir, e ao acordar suas vidas seguiriam como se nada tivesse acontecido.
A deles não.
Perceberam que seu tempo havia se esgotado afinal, o ônibus ia partir e ele precisava entrar.
- Te amo.
- Eu também, muito.
- Não esquece de mim.
- Nunca.
E se foi.
Enquanto o ônibus dava a volta pelo pátio da rodoviária, ela sentiu um vazio que nunca sentira antes. Uma metade sua havia saído de seu corpo, e passado a habitar outro. Assumira um nome, e agora estava indo pra longe, uma metade a 725 km de distância.
Soube então o que era saudade.
O que era amor.
E que era pra sempre.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
no ano que vem.
Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Caio F. Abreu
Caio F. Abreu
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Amor Retrô.
Conheceram-se num daqueles cafés pequenos do centro da cidade, apinhados de estudantes e trabalhadores com cara de sono. Conheceram-se e reconheceram-se imediatamente. Ela, com suas pilhas de livros e sonhos em preto-e-branco. Ele, com sua guitarra e o ar de superioridade que lhe caía tão bem quanto o cigarro estrategicamente colocado no canto da boca e os jeans apertados. E se apaixonaram.
Juntos completavam-se, e destoavam da multidão que passava todos os dias pelas ruas desgastadas da metrópole paulista. Ela lhe ensinava a gostar de cinema, e assistia com ele a todos os filmes do Godard, enquanto ele criava os mais belos acordes só pra ela. Ela lhe mostrava tudo sobre as vanguardas européias e os rumos que a arte tomara desde então, ele a fazia ouvir Pink Floyd de olhos fechados e as mãos entrelaçadas nas suas. E pensavam que era tudo o que sempre haviam desejado.
Até que um dia aconteceu. Uma briga, lágrimas e portas batendo. Ela foi embora e ele ficou, sentado no sofá vermelho que haviam comprado juntos. Ele ficou. Com o sofá, as pontas de cigarro, as lembranças, os vinis espalhados, e a casa vazia. Os dias que se seguiram foram como um pesadelo para ambos. Ela os compararia depois com algum filme surrealista que ele esqueceu o nome. Ele, com o fim dos Beatles.
Sem ele, ela descobriu que seus quadros perdiam a tinta.
Sem ela, ele descobriu que seus acordes saíam do tom.
Então ela voltou. Encontrou a porta aberta, como se nada tivesse mudado desde a última vez em que estivera ali. O sofá vermelho, os pôsteres do Warhol, os vinis e o cigarro. O coração dele estava ali, e o dela também. Encontrou-o sentado na cama com o violão na mão, brigando com uma melodia que insistia em não sair. Tirou o violão de suas mãos e o beijou como nunca fizera antes. E ambos souberam que era pra ser assim. Juntos.
Ele com suas escalas, semi-tons e sustenidos.
Ela com seus planos cortados, narrativas distorcidas e as pilhas de livros.
Juntos.
Juntos completavam-se, e destoavam da multidão que passava todos os dias pelas ruas desgastadas da metrópole paulista. Ela lhe ensinava a gostar de cinema, e assistia com ele a todos os filmes do Godard, enquanto ele criava os mais belos acordes só pra ela. Ela lhe mostrava tudo sobre as vanguardas européias e os rumos que a arte tomara desde então, ele a fazia ouvir Pink Floyd de olhos fechados e as mãos entrelaçadas nas suas. E pensavam que era tudo o que sempre haviam desejado.
Até que um dia aconteceu. Uma briga, lágrimas e portas batendo. Ela foi embora e ele ficou, sentado no sofá vermelho que haviam comprado juntos. Ele ficou. Com o sofá, as pontas de cigarro, as lembranças, os vinis espalhados, e a casa vazia. Os dias que se seguiram foram como um pesadelo para ambos. Ela os compararia depois com algum filme surrealista que ele esqueceu o nome. Ele, com o fim dos Beatles.
Sem ele, ela descobriu que seus quadros perdiam a tinta.
Sem ela, ele descobriu que seus acordes saíam do tom.
Então ela voltou. Encontrou a porta aberta, como se nada tivesse mudado desde a última vez em que estivera ali. O sofá vermelho, os pôsteres do Warhol, os vinis e o cigarro. O coração dele estava ali, e o dela também. Encontrou-o sentado na cama com o violão na mão, brigando com uma melodia que insistia em não sair. Tirou o violão de suas mãos e o beijou como nunca fizera antes. E ambos souberam que era pra ser assim. Juntos.
Ele com suas escalas, semi-tons e sustenidos.
Ela com seus planos cortados, narrativas distorcidas e as pilhas de livros.
Juntos.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
da série: presentinhos de natal.
Sim, eu ganhei um poema de natal.
E quem fez pra mim foi o Enzo, meu irmão-mais-velho-postiço lá de Minas:
Maldita Gramática
Eu queria tanto
Enxugar teu pranto
Santo é o ofício de ajudar
Veja quanto espanto,
Ao lembrar, no entanto,
Diferentes advérbios de lugar!
Eu canto este canto
Pra diminuir um tanto
A dor de pensar
Que eu estou cá
E, em algum outro canto,
Você está lá!
E quem fez pra mim foi o Enzo, meu irmão-mais-velho-postiço lá de Minas:
Maldita Gramática
Eu queria tanto
Enxugar teu pranto
Santo é o ofício de ajudar
Veja quanto espanto,
Ao lembrar, no entanto,
Diferentes advérbios de lugar!
Eu canto este canto
Pra diminuir um tanto
A dor de pensar
Que eu estou cá
E, em algum outro canto,
Você está lá!
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